Sobre a arte de indicar e receber indicações

Ao me convidar para escrever essa coluna quinzenal de literatura, a Aline disse que eu poderia fazer do jeito que achasse melhor, no formato que fosse mais interessante. E então eu pensei. E pensei. E pensei.

Porque o fato é que não sou um especialista. Sou um cara que gosta demais de ler, que lê bastante coisa há bastante tempo. Então, como não-especialista, como um cara que ama “esse negócio” de livros e de ler, o que consegui pensar é que esse pode ser um espaço para troca de dicas e ideias diversas sobre literatura.

Afinal, grande parte das minhas melhores experiências como leitor veio de indicações que recebi – do meu pai, de amigos, de namoradas, de revistas ou de outros livros. No fim das contas esse é o movimento natural para que cheguemos em trabalhos que poderão mudar nossas vidas e nossa percepção do mundo.

Trocar indicações é uma arte, mas bem fácil de ser executada por qualquer pessoa. O primeiro passo é gostar daquilo que está recomendando. Claro que, como funcionário de uma livraria, muitas vezes eu preciso indicar o que não li ou algo que nem gosto. Mas, em uma conversa entre amigos, funciona melhor quando você acredita naquilo que está sugerindo.

O segundo passo é conhecer o interlocutor. Recomendar um livro técnico para alguém que só lê literatura talvez não funcione tão bem. E vice-versa. Se ainda assim você quiser fazer essa indicação, pode ser uma boa ir com calma e contextualizar os motivos pelos quais está sugerindo essa leitura.

Um último conselho, talvez o mais importante: não desanime caso uma indicação não funcione para determinada pessoa. Esse é um gesto que requer paciência. Algumas vezes você erra; em outras, acerta. Na verdade, parte da graça é essa incerteza sobre se o que você indicou com tanta empolgação para um amigo vai ser recebido com a mesma vontade.

E, por falar em indicações, a seleção de livros que fica disponível para troca em todas as edições d’O Coletivo (projeto Livro Livre) não deixa de ser um grande compilado de dicas, de todas as pessoas que doam exemplares para o evento. Na última edição, eu, por exemplo, saí de lá com um do Julio Cortázar e outro do Rubem Fonseca. Livros que não sei de quem eram e que agora estão aqui, na minha estante. Dá pra pensar em dica melhor?

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