O maravilhoso mundo digital

Ah, o mundo digital! Nunca foi tão fácil apresentar aquele trabalho tão maravilhosamente bem produzido, rico em detalhes e pensado pro público alvo dele, ao mesmo tempo, por que será que tudo parece tão perdido no vasto mundo online? Pra responder essa pergunta, a gente precisa lembrar e entender como o mercado, o consumidor e a propaganda mudaram nessas últimas décadas.

Antes dos anos 50, ainda sem TV no Brasil, a Dona Maria que fazia bolo ou a Dona Neide que costurava, atendiam basicamente um mercado local e dificilmente saíam dos seus bairros pra atender bairros distantes, construindo a reputação de seus serviços prestados na base do boca a boca; enquanto isso, empresas maiores anunciavam seus produtos nas estações de rádio, nos jornais das cidades, catálogos e dependendo do tamanho da empresa, através de revistas que eram distribuídas em todo o país. Os desenhos ou fotografias dos produtos, eram vistos como algo moderno e sem dúvida, algo que demonstrava a grandeza de uma empresa.

Imagem: giphy.com

No curto espaço de uma década, nada mudou pra Dona Maria e Dona Neide, mas as imagens estáticas e descrições elaboradas saltaram do nosso imaginário, ganhando formas reais através das propagandas de tv. Quem era capaz de desconfiar daquelas pessoas, olhando pra câmera e dizendo que essa geladeira ou aquele carro eram os melhores? A tv aproximou o mundo da nossa casa, trouxe informação e novas tendências de consumo. As propagandas saíram do espaço reservado do intervalo comercial e passaram a aparecer em uso nas telenovelas. A credibilidade era reafirmada mais uma vez, através de atores em fuga num carro potente em detrimento do outro, mais antigo, que aos chutes era chamado de “lata velha”. Ninguém queria uma lata velha, mas dessa vez, tínhamos alguém pra jogar isso na nossa cara, dentro de um contexto tão real quanto podia ser e isso, meus amigos, isso mexia com o brio da rapaziada. Ainda assim, nossa forma de vender ainda era separada entre os grandes produtores que veiculavam seus anúncios pelos meios de comunicação, com cada vez mais com mais imagens e os pequenos produtores, ainda no boca a boca e em alguns casos de empreendedorismo mais avançado, em pequenos anúncios nos classificados dos jornais locais e de rádio.


Avançamos mais algumas décadas e eis que chega a perdição dos nossos dias: a internet! Assim como a tv, o uso era restrito a algumas casas e isso dificultava muito qualquer tipo de propaganda, porque o custo era grande e afinal, o que mais poderia aparecer ali que não daria pra ver na tv, não é mesmo? Ledo engano. O mundo abriu uma nova porta e de repente, qualquer produto podia ser visto, qualquer empresa podia ser acessada a qualquer horário, de qualquer lugar. Bom, quase qualquer empresa, né? A Dona Maria e a Dona Neide não foram pra tv e também não estavam dentro dos computadores, mas seus netos estavam atentos quando a última revolução digital aconteceu e com ela, ver nascer o filho do cruzamento do computador com um telefone: nosso inseparável smartphone.

O avanço que se arrastava por décadas, agora acontece em meses e tudo, absolutamente tudo mudou. As empresas grandes entenderam essa mudança e se aproximaram do consumidor, tanto nas propagandas que ganham cada vez mais tons de realidade, emoção, pluralidade e inclusão, até no contato direto nos perfis de redes sociais que respondem com humor aos comentários, mas mesmo com esse acesso todo, ninguém conseguiu reproduzir a Coca Cola em casa, já a receita do bolo da Dona Maria foi disponibilizada gratuitamente em diversos sites e a Dona Neide já pouco consegue disputar o mercado com as lojas que vendem peças com um custo mais baixo do que o combustível que ela usaria pra comprar o tecido pra fazer. Não existe fórmula mágica pra driblar esses obstáculos, mas existe estudo de mercado, existe expansão da nossa capacidade criativa e existe a compreensão de que é necessário investimento em propaganda pra ver pequenos negócios prosperarem.

Nós queremos que as marcas nos convençam de que elas são as melhores opções, nós queremos a história dos produtos, queremos saber quem está por trás da produção e queremos imagens que transmitam uma experiência positiva, a validação dos nossos sentimentos, assim como nossos valores éticos (vide boicotes que já rolaram em várias lojas ou marcas por motivos diversos). Não é só pegar uma foto e jogar ali no meio do bolo todo cibernético, rezando pra alguém se interessar. É construir a imagem certa pro público que você quer atingir, é saber dispor tudo o que você precisa pra galera que tem o tempo médio de (pasmem!) 2 segundos de visualização por imagem, se interessar e querer ver mais. Agora é minha vez de perguntar pra você: Tem considerado tudo isso na hora de divulgar seu produto?

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s