Daisy Jones & The Six: amor e música

Durante os anos 70, mais precisamente entre 1974 e 1979, uma banda ganhou o coração do mundo. O The Six fez um estrondoso sucesso nessa época, principalmente depois da entrada da cantora Daisy Jones para a gravação do sucesso Honeycomb e do disco mais importante deles e um dos mais icônicos do rock: Aurora, terceiro e último álbum gravado por eles. Quem é que não se lembra?

Na verdade essa história está contada no livro Daisy Jones & The Six, de Taylor Jenkins Reid. E, apesar de ser ficcional, reflete muito bem a trajetória de diversas grupos desse período.

Intenso, apaixonante e visceral, Daisy Jones & The Six tem um formato diferente do tradicional. Ele é, do começo ao fim, narrado através de depoimentos das personagens a uma entrevistadora que está escrevendo a biografia da banda. Assim, o trabalho assume um ar de documentário em livro.

É impossível não se apaixonar por Billy Dune e por Daisy Jones e pela química dos dois nas composições e no palco. Vemos também o amadurecimento de Grahan Dune, o irmão sempre à sombra de Billy, nos irritamos com o rancor (às vezes justificado) de Eddie. Olhamos ainda que de longe para para Pete e Warren que, apesar de coadjuvantes, são duas peças importantes do conjunto. E ainda tem Karen, carismática, sensata e empoderada.

Daisy Jones & The Six mostra a atuação de outras personagens tão importantes para uma banda quanto os seus integrantes. As relações com empresário, produtor e a influência que isso tem na confecção de um disco.

Aborda também qual o papel das drogas no cenário musical da década. O começo das drogas sintéticas, a facilidade com que astros de rock conseguiam o que queriam, a degradação de alguém cujo talento pode ser desperdiçado pro excessos e a luta de alguém que vive o tempo todo nesse mundo e quer se manter sóbrio por amor a algo maior.

Por falar nisso, o livro também é, em sua grande essência, uma história de amor. Amor à música, amor sincero e maduro por alguém, amor paciente e compreensivo, amor não correspondido, amor impossível de se concretizar. Tudo isso parece muito para um livro de pouco mais de 350 páginas, mas a trama é extremamente bem desenvolvida pela autora, do começo ao fim.

Daisy Jones & The Six é pra ler debaixo do sol, no sossego de uma praia, em um jardim florido. É leve em seu peso e pesado em sua leveza. É um grande livro ainda que não pretensioso. Grata surpresa de 2019.

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